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Bioenergia - Dá pra gerar energia limpa com árvores?

A bioenergia pode transformar plantas, algas, restos de comida, óleo de cozinha usado e águas residuais em energia e combustível. Do biogás e biodiesel ao combustível sustentável de aviação e ao BECCS com emissões negativas, ela pode ajudar a descarbonizar o transporte marítimo, a aviação, o transporte pesado e a energia de reserva. Mas queimar florestas em vez de combustíveis fósseis não é a resposta. A bioenergia só ajuda quando é sustentável, bem medida e realmente neutra em carbono - ou até negativa em carbono.

(Guia ilustrado em breve)

ImpactoRapidezCustoMaturidadeNatureza

2,6geral

Como esta solução é avaliada

  • Impacto2 / 5Útil onde há poucas alternativas, mas a redução real de carbono costuma ser exagerada.
  • Rapidez3 / 5A indústria pode mudar para biocombustíveis bem rápido, mas a biomassa leva um tempo relativamente longo para crescer de novo e absorver carbono.
  • Custo2 / 5Resíduos orgânicos são baratos, mas os biocombustíveis geralmente precisam de subsídios.
  • Maturidade4 / 5Queimar biomassa é uma tecnologia antiga, mas versões mais limpas, como as células de combustível microbianas, ainda estão no início.
  • Natureza2 / 5Culturas para biocombustíveis podem causar desmatamento e disputar terras com a produção de alimentos, e sua queima piora a qualidade do ar.

Teste

Pergunta 1 de 10

Com o que o motor de Rudolf Diesel do início dos anos 1900 podia funcionar?

Pontuação 0 / 10

Transcrição

Para os humanos, energia é tudo e, no momento, eles conseguem a maior parte queimando carvão mineral, petróleo e gás [1,2,3]. Infelizmente, esses combustíveis fósseis também poluem a atmosfera, envenenam os oceanos e ameaçam cozinhar o planeta [3,4].

Mas e se houvesse uma alternativa ecológica? E se essa alternativa literalmente crescesse em árvores?

Boas-vindas ao mundo da bioenergia!

Desde que os primeiros humanos descobriram como dominar o fogo, eles queimam biomassa, como madeira, para gerar bioenergia [5,6,7]. Cozinhavam com ela, aqueciam suas casas com ela e, no geral, a usavam para fazer travessuras.

Mas então, com a Revolução Industrial, eles descobriram os combustíveis fósseis [8,9,10]. Comparados à madeira, carvão mineral, petróleo e gás contêm muito mais energia por quilograma [11,12,13] e, por isso, eram bem mais adequados para alimentar máquinas modernas.

Até que, no início dos anos 1900, o engenheiro alemão Rudolf Diesel inventou um motor que podia funcionar com óleo de amendoim e provou que a bioenergia podia alimentar tecnologia moderna [14-18]. E, embora a energia do amendoim nunca tenha pegado, a bioenergia ainda tem potencial para desempenhar um papel importante na transição energética e resolver a crise climática [19-23].

Mas, considerando que bioenergia e combustíveis fósseis produzem poluição por dióxido de carbono, o que exatamente torna a bioenergia melhor para o meio ambiente?

Os combustíveis fósseis são restos de formas de vida antigas, como criaturas marinhas e florestas, que ficaram enterrados e comprimidos por milhões de anos [24,25].

Se os humanos os extraem e queimam, liberam enormes quantidades de carbono antigo. A Terra não consegue absorver todo esse carbono extra, então ele se acumula na atmosfera e o ciclo do carbono fica desequilibrado [26,27,28], tornando os combustíveis fósseis positivos em carbono - o que não é nada bom.

Já a biomassa vem de plantas atuais que absorveram carbono do ar recentemente. Quando essas plantas são queimadas, o carbono que liberam pode ser absorvido de novo por árvores plantadas para substituí-las, devolvendo esse carbono ao ciclo natural do carbono [29,30,31].

Isso torna a bioenergia teoricamente neutra em carbono, e muito melhor para o planeta.

Assim como os combustíveis fósseis, a bioenergia vem em três formas: sólida, gasosa e líquida. O carvão mineral pode ser substituído por cavacos ou pellets de madeira em usinas elétricas [32,33,34], o gás fóssil pode ser substituído por biogás para cozinhar e aquecer casas [35-39], enquanto gasolina e diesel podem ser substituídos por bioetanol e biodiesel em veículos [40-43].

Embora baterias sejam uma opção melhor para carros e caminhões leves [44,45,46], muitos veículos de longa distância são difíceis de eletrificar. Para um navio porta-contêineres viajar até um porto distante, as baterias ocupariam uma grande porcentagem da capacidade de carga [47,48,49]. E as baterias necessárias para um voo de longa distância deixariam um avião pesado demais para decolar! [50-57]

É aí que combustíveis verdes, como os biocombustíveis, podem ajudar de verdade. Outra vantagem dos biocombustíveis e da biomassa sólida é que podem ser armazenados por longos períodos [58-65], dando segurança energética aos países e garantindo eletricidade o ano todo [66,67,68]. Vento e sol já fornecem eletricidade renovável barata à rede elétrica [69,70,71] mas são intermitentes, então, quando não estão disponíveis, a biomassa pode ser queimada para atender à demanda [23].

No papel, parece a aposta vencedora. Então por que os humanos não usam mais?

Bem, conseguir biomassa muitas vezes envolve cortar árvores para fazer cavacos de madeira e, como a madeira queima muito mais rápido do que cresce, mesmo que você plante novas árvores para substituí-las, pode levar décadas para absorver o carbono que levou apenas horas para ser queimado [72-76].

Os biocombustíveis talvez não sejam muito melhores, pois florestas são frequentemente derrubadas para plantar culturas como dendê, soja, cana-de-açúcar e milho para produzi-los [77,78,79]. Na verdade, milhares de quilômetros quadrados de floresta tropical já foram derrubados no Brasil para cultivar a soja e a cana-de-açúcar necessárias para os biocombustíveis [80-85]. Enquanto isso, na Indonésia e na Malásia, árvores foram derrubadas para plantar dendê para biodiesel, causando perda em massa de habitat e ameaça de extinção para espécies nativas [86-89].

E mesmo se terras agrícolas já existentes forem usadas, isso pode aumentar os preços e ameaçar a segurança alimentar, muitas vezes prejudicando os mais pobres da sociedade [90-93].

Pior ainda, enormes volumes de água doce são consumidos para cultivar essas plantas [94,95,96]. E o processamento, o transporte e as mudanças no uso da terra envolvidos podem produzir tanto carbono que a bioenergia deixa de ser neutra em carbono [40,97,98,99].

Na verdade, quando você considera todas as emissões escondidas, os biocombustíveis às vezes podem ser piores para o meio ambiente do que os combustíveis fósseis [23,100-102], além de serem muito mais caros de produzir [103-106].

De repente, o sonho de Diesel de um planeta movido a amendoim parece, bem, uma loucura!

Mas ainda não jogue a bioenergia no lixo, porque há várias soluções que poderiam dar uma nova vida a ela. E, curiosamente, a primeira envolve usar lixo, ou mais especificamente resíduos orgânicos.

Veja só, resíduos como restos de plantações [107,108,109], subprodutos de serrarias e fábricas de papel [110,111,112] e até restos de comida ou óleos de cozinha usados [40,113-115] já estão sendo usados para obter biomassa sem cultivá-la em terras agrícolas dedicadas ou devastar as florestas do mundo.

Na verdade, companhias aéreas europeias já estão recorrendo a novos combustíveis sustentáveis de aviação feitos de gorduras e óleos de cozinha reciclados. Juntos, eles representam cerca de 55% do fornecimento planejado de combustíveis sustentáveis [116,117].

Outra solução em teste é conhecida como Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono ou BECCS [118-121]. Ela envolve usar tecnologia de captura de carbono para sugar o dióxido de carbono liberado pela queima de biomassa e armazená-lo em cavernas subterrâneas ou poços de minas desativadas.

E, como o carbono na biomassa foi retirado da atmosfera recentemente, armazená-lo assim transforma a bioenergia de neutra em carbono em negativa em carbono, o que é ainda melhor. Mas, para ser realmente viável, a biomassa ainda precisa vir de fontes sustentáveis, como florestas bem manejadas [119,121].

No momento, porém, a captura de carbono é cara [122,123,124] e já se sabe que pode vazar gases de efeito estufa [125-128]. Então ainda há desafios a superar se os humanos quiserem fazer do BECCS uma parte bem-sucedida da transição energética.

Outra abordagem em teste envolve produzir biocombustíveis a partir de algas microscópicas. Elas não precisam de terras agrícolas. Qualquer terreno serve. E produzem mais biocombustível por hectare do que culturas convencionais, como milho, cana-de-açúcar ou dendê [129,130,131]. Melhor ainda, emissões industriais de CO2 podem ser fornecidas às algas para ajudar a reduzir também o impacto climático de outros setores [132,133,134].

Uma opção parecida é usar algas marinhas [135,136,137], que podem ser cultivadas no oceano sem usar terras preciosas ou reservas de água doce, e pesquisas mostraram que cultivar algas marinhas também pode ajudar a biodiversidade dos ecossistemas marinhos [138,139,140].

Tecnologias experimentais como Células de Combustível Microbianas (MFCs) também mostram potencial [141-144]. Parecidas com Células de Combustível de Hidrogênio, elas eliminam a necessidade de queimar qualquer coisa. Elas convertem a energia química da matéria orgânica em águas residuais em energia elétrica pela atividade metabólica de bactérias. Elas até limpam as águas residuais ao mesmo tempo, deixando o tratamento da água mais barato [142,143]. Quando forem aperfeiçoadas, podem revolucionar como os humanos conseguem energia.

Então a bioenergia pode mesmo ajudar a resolver a crise climática? Bem, alimentar o mundo só com biomassa seria caro e insustentável.

A bioenergia também pode ser usada para maquiagem verde, escondendo práticas prejudiciais ao meio ambiente que contribuem tanto para o desmatamento quanto para as mudanças climáticas.

Mas, desde que seja obtida de forma ecológica, e seja medida de forma independente para ser realmente neutra em carbono ou, melhor ainda, negativa em carbono, e desde que seja usada principalmente em situações em que não há alternativas verdes melhores (como no transporte marítimo e na aviação), ela pode ser usada junto a outras soluções verdes para se tornar uma parte útil da transição energética e ajudar a criar um futuro realmente sustentável e verde.

Conselheiros Especialistas

Agradecemos a

Dr. Ausilio Bauen

Imperial College London

Centro de Política Ambiental

Dr. Robert Holland

Universidade de Southampton

Supergen Bioenergy Hub

Leitura Complementar

Esses recursos não são afiliados. Tudo o que tem link aqui está em inglês.

Visão Geral, História e Futuro

Ciclo do Carbono e Neutralidade de Carbono

Formas de Bioenergia — Biocombustíveis

Soluções de Bioenergia — Algas e Algas Marinhas

Referências

Tudo o que tem link aqui está em inglês.

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  7. [7] Indústria da energia de biomassa | Renewable Energy Industries: Um guia de pesquisa | Research Guides at Library of Congress
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Notas de Referência

14-16

Motor a Óleo de Amendoim

Rudolf Diesel desenvolveu seu motor de ignição por compressão durante a década de 1890, com o primeiro modelo bem-sucedido concluído em 1897. Na Exposição de Paris de 1900, um pequeno motor Diesel construído pela empresa francesa Otto Company foi demonstrado funcionando com óleo de amendoim a pedido do governo francês. O motor tinha sido projetado para óleos comuns, mas funcionou com óleo vegetal sem modificações.

58-65

Informações sobre a vida útil da biomassa e dos biocombustíveis (períodos máximos de armazenamento)

Biomassa e biocombustíveis podem ser armazenados por longos períodos e usados sempre que houver necessidade de energia, dando aos países segurança energética durante todo o ano. Porém, isso depende do tipo de biocombustível, e há exceções. A vida útil no armazenamento varia bastante conforme o combustível, a formulação e as condições de armazenamento, e alguns biocombustíveis são muito menos estáveis que outros [58-64,66,68].

Por exemplo, pellets de madeira e outros tipos de biomassa sólida são especialmente afetados pela umidade, temperatura, ventilação e manuseio. Condições ruins podem causar degradação biológica, perda de conteúdo energético ou autoaquecimento, enquanto o armazenamento seco e bem ventilado pode preservar sua qualidade [60,61].

Um biocombustível de longa duração, como o HVO (Óleo Vegetal Hidrotratado), tem alta resistência à oxidação e pode durar cerca de 10 anos antes de se degradar, segundo fornecedores, desde que sejam mantidas condições adequadas de armazenamento A. Pesquisas independentes também confirmam a estabilidade relativamente alta do HVO, inclusive quando ele é incorporado a misturas de biodiesel - diesel [64]. A estabilidade do biodiesel FAME (ésteres metílicos de ácidos graxos) depende muito de sua composição de ácidos graxos: os FAMEs saturados geralmente são mais estáveis e duram mais que os FAMEs insaturados, dependendo do resíduo usado para produzi-los. Portanto, a matéria-prima original usada para criar o biocombustível pode afetar bastante sua vida útil no armazenamento [62,63].

Embora o biodiesel seja facilmente biodegradável, sua deterioração durante o armazenamento é causada principalmente por oxidação e contaminação, e não pela própria biodegradabilidade. Calor e exposição ao ar, à luz, à água ou a certos metais podem acelerar a degradação, enquanto antioxidantes e condições adequadas de armazenamento podem desacelerá-la [58,62,63]. Um estudo relata que o biodiesel tem capacidade de armazenamento de 6 meses antes de começar a se degradar, e depois de um ano talvez já não seja adequado para uso direto em motores [58,59].

Criar misturas de biocombustíveis (por exemplo, misturando biodiesel FAME com diesel de petróleo ou HVO) pode melhorar a estabilidade, aumentar o tempo de armazenamento e manter sua eficácia como combustível de uso direto para motores comuns, embora o resultado dependa dos combustíveis e das proporções envolvidas [58,59,62,64].

Nanobiodieseis especialmente formulados recebem nanopartículas que reduzem a vulnerabilidade à oxidação e, por isso, podem permanecer estáveis por muito mais tempo [59]. Eles também podem melhorar a combustão do combustível e a eficiência energética, além de reduzir alguns poluentes. Porém, seus efeitos dependem do material, da concentração, do combustível e do motor, e algumas formulações podem aumentar as emissões de óxidos de nitrogênio B.

Os biocombustíveis têm vida útil no armazenamento mais curta que os combustíveis fósseis comuns (mas o HVO é uma exceção importante). Ainda assim, podem ajudar a resolver o problema da intermitência criado pela energia eólica/solar: mesmo biocombustíveis armazenados por meses, em vez de anos, podem fornecer energia de reserva pronta para uso e segurança energética em períodos de baixa geração eólica ou solar, desde que haja estoques e equipamentos suficientes [23,66,68]. Onde as matérias-primas e cadeias de fornecimento são geridas de forma sustentável, elas podem contribuir para a neutralidade de carbono e esforços mais amplos de redução de emissões [19-22,72-76].

A Como armazenar combustível HVO para durabilidade e segurança | Vectec

B Aplicações da nanotecnologia na combustão e nas etapas pós-combustão do biodiesel | Renewable and Sustainable Energy Reviews

29-31,72-102

Neutralidade de Carbono da Bioenergia

A bioenergia não é automaticamente neutra em carbono. Seu impacto no clima depende da matéria-prima, do recrescimento, do que teria acontecido com a terra ou o material de outra forma, das emissões da cadeia de suprimentos e do tempo necessário para reabsorver o CO₂ liberado. Caminhos que usam resíduos e sobras podem ter emissões relativamente baixas, enquanto mudanças no uso da terra ou a colheita de florestas que crescem lentamente podem criar uma dívida de carbono que dura anos ou décadas.

Veja: Carbon Accounting for Sustainable Biofuels - Analysis | IEA

80-85

Desmatamento no Brasil para Biocombustíveis

No Brasil, milhões de hectares de floresta tropical, savana e outros ecossistemas nativos foram desmatados para fins agrícolas, incluindo a produção de soja e cana-de-açúcar.

A Trase associou a colheita de soja do Brasil em 2020 a 562.000 hectares - 5.620 quilômetros quadrados - de desmatamento recente e conversão de vegetação nativa. Isso incluiu cerca de 76.400 hectares na Amazônia e 23.600 hectares na Mata Atlântica, embora a maior parte tenha ocorrido no Cerrado e nos Pampas. O bioma Cerrado, uma área-chave para a soja e a cana-de-açúcar, passou por uma conversão de terras especialmente extensa [82,83]. Esses números ligam a produção brasileira de soja à conversão de terras medida em milhares de quilômetros quadrados, incluindo áreas consideráveis de floresta tropical.

Tanto a soja quanto a cana-de-açúcar estão ligadas à indústria de biocombustíveis do Brasil [78,80,81]. Cerca de metade da cana-de-açúcar brasileira é processada em etanol C. A soja é cultivada principalmente para ração animal, mas produz óleo de soja como subproduto, que fornece cerca de 70% do biodiesel do país D. Em toda a América do Sul, a área plantada com soja mais que dobrou, de 26,4 milhões de hectares em 2000 para 55,1 milhões de hectares em 2019 [82]. A expansão dessas culturas pode causar desmatamento diretamente, quando elas substituem a vegetação nativa, ou indiretamente, quando a expansão sobre terras agrícolas existentes desloca a criação de gado ou outras atividades para áreas recém-desmatadas [78-82,84].

O desmatamento ligado à soja no Brasil é consideravelmente maior que o desmatamento direto para a cana-de-açúcar [80-83]. A partir de 2009, a política de Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAE Cana) restringiu a expansão da cana em biomas críticos como a Amazônia e o Pantanal (embora a política tenha sido revogada em 2019, aumentando as preocupações com o desmatamento) [81]. Por isso, o cultivo de cana-de-açúcar historicamente se concentrou nas regiões central e sul, fora da Amazônia, muitas vezes em terras agrícolas já existentes, pastagens degradadas ou no Cerrado. Sua contribuição direta para a perda de floresta tropical na Amazônia é, portanto, bem menor que a do gado ou da soja. Mesmo assim, sua expansão para o Cerrado ou sobre pastagens pode substituir a vegetação nativa ou deslocar outras atividades agrícolas, contribuindo para pressões mais amplas de desmatamento [78,80,81]. De fato, um estudo de modelagem de 2010 projetou que a expansão do etanol de cana-de-açúcar poderia ter contribuído indiretamente para cerca de 50.000 km² (5 milhões de hectares) de desmatamento até 2020, em grande parte ao deslocar pastagens de gado para áreas de floresta [85].

A demanda por biocombustíveis pode, portanto, contribuir para o desmatamento ao aumentar a demanda por etanol de cana-de-açúcar e óleo de soja para biodiesel. No entanto, toda a área afetada não pode ser atribuída especificamente aos biocombustíveis: a soja também fornece ração animal e alimentos, a cana-de-açúcar também fornece açúcar, e grande parte da vegetação convertida é savana ou campo, e não floresta tropical. Ainda assim, considerando a escala da conversão ligada à soja e os efeitos diretos e indiretos associados às duas culturas, continua sendo uma estimativa razoável de ordem de grandeza que milhares de quilômetros quadrados de floresta tropical brasileira tenham sido desmatados em parte para fornecer culturas para biocombustíveis, ainda que não seja um total preciso só de biocombustíveis [78-84].

C Destino da cana-de-açúcar brasileira entre açúcar e etanol | Reuters

D Cerca de 70% do biodiesel brasileiro vem da soja | Reuters

Leitura adicional:

A corrida pela cana-de-açúcar no Brasil traz uma nova ameaça à floresta tropical amazônica | Sierra Club

O crescimento da cana-de-açúcar no Brasil pode atender à demanda por biocombustíveis sem causar desmatamento: estudo | Mongabay

116

SAF usado por Companhias Aéreas Europeias

CORREÇÃO: Cerca de 55% dos compromissos públicos e acordos de fornecimento de SAF das companhias aéreas europeias devem vir de óleos e gorduras usados, incluindo gorduras animais, óleo de cozinha usado e outros óleos residuais. Isso descreve acordos e contratos planejados, e não combustível já em uso como diz o filme.

118-121,125-128

Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono

O BECCS só pode gerar emissões líquidas negativas quando o recrescimento da biomassa realmente retira CO₂ da atmosfera e mais desse CO₂ é armazenado permanentemente do que liberado em todo o processo. Na prática, isso depende de mais do que as emissões geradas na instalação de bioenergia. Também depende das emissões da cadeia de suprimentos e do uso da terra, além dos balanços de carbono de longo prazo envolvidos. Isso inclui o carbono perdido da vegetação e dos solos; o tempo necessário para a biomassa crescer de novo; as emissões do cultivo e dos fertilizantes, da colheita, do processamento e do transporte; a energia usada para capturar, comprimir e injetar o CO₂, e qualquer CO₂ que o sistema de captura não recolha. Outros gases de efeito estufa, como metano e óxido nitroso, também precisam ser incluídos. Portanto, o balanço final depende da matéria-prima, da gestão da terra, da taxa de captura, das fontes de energia e do período considerado [72-76,97-102,118-121].

Para armazenamento de longo prazo, o CO₂ capturado normalmente é comprimido e injetado em formações rochosas profundas e porosas, como formações de água salgada ou reservatórios esgotados de petróleo e gás. Na prática, o CO₂ ocupa espaços minúsculos na rocha, em vez de simplesmente encher uma grande caverna subterrânea ou poço de mina. A escolha cuidadosa do local, poços seguros, gestão da pressão, monitoramento e supervisão de longo prazo são essenciais para mantê-lo contido [118,127,128].

A principal preocupação com vazamentos é o CO₂ capturado escapar durante o transporte ou a injeção, ou mais tarde por falhas, fraturas ou poços danificados ou mal selados. As evidências em [125-128] tratam principalmente de possíveis caminhos de vazamento, experimentos controlados, modelagem e avaliação de riscos; elas não indicam que vazamentos sejam comuns em locais comerciais de armazenamento bem geridos. Espera-se que formações geológicas bem escolhidas e monitoradas retenham quase todo o CO₂ injetado por períodos muito longos, embora o risco não possa ser tratado como zero. Qualquer CO₂ que escape deve ser subtraído do total declarado como retirado da atmosfera e tratado com monitoramento contínuo e remediação.

129-131,138-140

Cultivo de Algas e Algas Marinhas

As microalgas podem ser cultivadas em tanques abertos ou fotobiorreatores fechados em terras não aráveis, degradadas, salinas ou de baixo valor, evitando competição direta com culturas alimentares convencionais. Ainda assim, locais adequados precisam de luz, água, nutrientes e CO₂ suficientes, enquanto a quantidade de terra necessária depende da espécie de alga, do clima local e do sistema de cultivo. Como as algas crescem rápido e podem produzir mais combustível por unidade de terra do que culturas convencionais de biocombustíveis, sua necessidade total de terra pode ser bem menor [129-134].

As algas marinhas não precisam nem de terras agrícolas nem de água doce. Fazendas de algas marinhas podem criar habitats temporários para peixes e invertebrados, absorver nutrientes em excesso, aumentar os níveis locais de oxigênio e pH e reduzir a energia das ondas. Os benefícios para a biodiversidade dependem das espécies cultivadas, do tamanho e do desenho da fazenda, do movimento da água, da localização e das práticas de colheita. Uma escolha cuidadosa do local pode maximizar esses benefícios, evitando danos a habitats existentes, como pradarias marinhas, ou a introdução de espécies não nativas [135-140].

141-144

Células de Combustível Microbianas no tratamento de águas residuais

Células de combustível microbianas usam bactérias para decompor matéria orgânica em águas residuais e transferir os elétrons liberados para um eletrodo, criando uma corrente elétrica. Remover essa matéria orgânica ajuda a limpar as águas residuais, embora as MFCs normalmente não façam todas as etapas do tratamento sozinhas: ainda pode ser necessário tratamento adicional para remover matéria orgânica, nutrientes e patógenos restantes [141-144].

Na prática, seu principal benefício econômico pode vir da redução da eletricidade necessária para o tratamento, e não da geração de grandes quantidades de energia excedente que podem ser usadas em outros lugares. O tratamento convencional de águas residuais usa bastante energia para bombear oxigênio para a água. As MFCs podem reduzir parte dessa aeração enquanto recuperam uma pequena quantidade da energia química das águas residuais como eletricidade, potencialmente reduzindo a demanda total de energia da estação de tratamento. Juntos, esses benefícios poderiam acabar tornando o tratamento de águas residuais mais barato. Por enquanto, porém, os altos custos de construção e materiais significam que isso ainda não foi demonstrado de forma consistente em escala comercial [141-143].

Chegar a esse ponto pode não exigir que as MFCs maximizem a geração de eletricidade. Em outras palavras, o sistema que produz mais eletricidade não é necessariamente o sistema de tratamento mais econômico. Um estudo tecnoeconômico constatou que materiais de eletrodo mais baratos poderiam oferecer um tratamento de águas residuais mais econômico, apesar de produzirem menos eletricidade E. Isso sugere que o desenvolvimento prático das MFCs pode se beneficiar ao priorizar um tratamento acessível em vez da máxima geração de eletricidade.

No entanto, a geração de eletricidade continua baixa, especialmente à medida que as águas residuais ficam mais limpas e sobra menos matéria orgânica para as bactérias consumirem. Sistemas maiores também precisam superar desafios relacionados aos custos de eletrodos e membranas, às incrustações, ao desempenho irregular e à confiabilidade de longo prazo. Um estudo-piloto de 1.000 litros demonstrou que a tecnologia pode funcionar com águas residuais municipais reais, mas alcançou tratamento parcial e geração modesta de eletricidade. Por enquanto, portanto, as MFCs continuam sendo principalmente um método experimental de combinar o tratamento de águas residuais com recuperação de energia em pequena escala, e não uma grande fonte de eletricidade [141-144].

E Sacrificar potência por um tratamento mais econômico: uma abordagem tecnoeconômica para projetar células a combustível microbianas | Chemosphere

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